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"Cedros Ressoantes da Rússia" - 2º Capítulo |
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MÁQUINA PARA FAZER DINHEIRO
Nos primeiros dias de convívio com Anastasia eu lidei com ela como com uma eremita com um visão de mundo peculiar. Hoje, depois de ter ouvido e lido tanto sobre ela, depois de ela ter penetrado em seguida na nossa vida, ela passou a ser uma espécie de anomalia. Na cabeça começou uma confusão. Com esforço, pondo de lado o fluxo de informações e deduções, eu tento recuperar a simplicidade das primeiras impressões. E responder à pergunta que me é feita frequentemente: "Porque é que tu não levaste Anastasia da taiga?" Eu queria muito levar Anastasia da taiga. Mas eu entendia que isso não pode ser feito à força. É preciso demonstrar-lhe a razoabilidade e benefícios da sua estadia na nossa sociedade. Eu reflectia sobre quais das suas capacidades se poderiam utilizar com vantagem para ela, para as pessoas e para a minha empresa. E de repente eu percebi: a Anastasia que estava à minha frente era uma verdadeira máquina de fazer dinheiro.
As suas capacidades permitem facilmente curar pessoas de todo o tipo de doenças. E ela nem sequer faz nenhum tipo de diagnóstico, simplesmente expulsa do organismo de uma vez todas as doenças que se tenham alojado nele. E nem sequer toca o corpo. Eu experimentei em mim mesmo. Ela concentra-se toda. Olha com os seus bondosos olhos azul-acinzentados sem pestanejar. E é como se o corpo se aquecesse com o seu olhar, e depois os pés começam a suar. Através do suor é que sai todo o tipo de toxinas. As pessoas pagam grandes somas de dinheiro por medicamentos e operações. Se um médico não ajuda, vão ter com outro, vão a um médium, a um terapeuta de bioenergético, para se curarem de apenas uma doença, por vezes gastam semanas, meses, anos, e aqui - apenas uns minutos. Eu fiz as contas de que se ela gastar num paciente uns quinze minutos e levar por isso apenas duzentos e cinquenta mil (embora muitos curandeiros levem ainda mais), então numa hora faria um milhão de rublos. Mas isso não é de todo o limite, uma vez que há operações que custam até trinta milhões de rublos … Na minha cabeça começava a compor-se o que parecia ser um bom plano comercial. Eu decidi perceber melhor alguns pormenores e perguntei a Anastasia: - Então quer dizer que tu podes expulsar quaisquer doenças de uma pessoa? - Sim, - respondeu Anastasia. – Eu penso que qualquer uma. - Quanto tempo é que tens que gastar para uma pessoa? - Por vezes muito tempo. - ‘Muito’, é quanto? - Uma vez tive que empregar mais de dez minutos. - Dez minutos não é nada. As pessoas gastam anos para se curarem. - Dez minutos é muito tempo, se tivermos em conta que durante esse tempo é preciso concentrar-me e como que parar o processo de consciência… - Não faz mal, a consciência espera. Tu mesmo assim já sabes muito. Eu inventei aqui uma coisa, Anastasia. - O que é que inventaste? - Eu levo-te comigo. Alugo para ti um bom consultório numa cidade grande, faço publicidade e tu vais curar pessoas. Tu serás muito útil para as pessoas e nós teremos um bom rendimento. - Mas eu já curo pessoas de vez em quando. Quando visualizo diferentes situações com os dachnik, para ajudá-los com a tomada de consciência das plantas do mundo que os rodeia, nessas alturas o meu Raio também expulsa as doenças dos seus organismos, mas eu tento que não sejam todas… - Mas eles não sabem que és tu que o fazes, não te dão dinheiro e nem sequer te dizem obrigado! Tu não recebes nada por esse trabalho. - Recebo. - O quê? - Eu fico alegre. - Pois, está bem. Que tu possas estar alegre e contente, mas que a empresa também tenha lucro. - E se alguma pessoa não tiver dinheiro para pagar a cura? - Mas porque é que te metes logo por diferentes matizes sem importância? Não é da tua conta pensar sobre isso. Tu terás secretários e um administrador. Tu deves pensar sobre a cura, aperfeiçoares-te, ir a seminários para troca de experiência. E tu própria, entendes como é que funciona esse teu método, o teu Raio, os mecanismos que estão envolvidos? - Entendo. E esse método é conhecido no vosso mundo. Os médicos e cientistas profissionais sabem da sua existência. Ou sentem as suas influências benéficas. Nos hospitais tentam falar com os doentes de forma animada, para elevar a sua disposição. Os médicos já notaram há muito tempo que se uma pessoa se encontra num estado de depressão é difícil de curar a doença, os medicamentos não ajudam, mas se se dirigirem à pessoa com amor, a doença vai embora mais rápido. - Então porque é que ninguém tenta compreender e desenvolver esse método de cura até ao mesmo nível que tu? - Muitos dos cientistas tentam compreender. E muitas pessoas a que vocês chamam curandeiros populares também utilizam esse método e não conseguem fazer muito. Por este processo Jesus Cristo e outros santos curavam as pessoas. Na Bíblia fala-se muito sobre o amor. Porque é um sentimento que influencia beneficamente o ser humano. É mais forte que tudo. - Porque é que os curandeiros e médicos têm um bocadinho e tu tens muito e tão facilmente? - Porque eles vivem no vosso mundo e tiveram, assim como muitos do nosso mundo, que permitir que entrassem neles sentimentos prejudiciais. - Que sentimentos prejudiciais são esses, e a que propósito é que eles vêm? - Os sentimentos prejudiciais, Vladimir, são a maldade, o ódio, a irritação, o ciúme, a inveja… e outros. Esses e outros semelhantes fazem a pessoa ficar mais fraca. - E tu, Anastasia, raramente te zangas? - Eu nunca me zango. - Está bem, Anastasia. Não importa como consequência de que é que se obtém esse efeito, o que importa é o resultado e que benefício se pode extrair dele. Diz-me, tu estás de acordo em ir comigo e dedicares-te a curar pessoas? - Vladimir, a minha casa e a minha pátria são aqui. E só encontrando-me aqui eu posso cumprir o meu propósito. Não há nada que dê mais força a um ser humano do que a sua própria pátria, o Espaço de Amor criado pelos seus pais. Eu posso curar as pessoas e livrá-las dos problemas físicos também à distância, com a ajuda do meu Raio… - Está bem. Se não queres ir, então cura à distância. Nós podemos combinar isso, o lugar a que vão vir aqueles que desejam curar-se. Eles pagarão o dinheiro, e tu, a uma hora determinada, vais curá-los. Nós faremos um horário. Tu concordas com isso? - Vladimir, eu entendo, tu queres ter muito dinheiro. Tu tê-lo-ás, eu ajudo-te. Mas não há que fazê-lo dessa forma. No vosso mundo levam dinheiro pela cura, de outro modo no vosso mundo não é possível. Mas eu vou fazê-lo sem dinheiro. E, para além disso, eu não posso curar todos de seguida, porque eu não percebi em que situações a cura traz benefício e em quais faz mal. Mas eu vou tentar entender. E assim que conseguir compreender... - Que disparate é esse? Como é que a terapia, a cura de uma pessoa pode fazer mal? Ou tu queres dizer ‘fazer mal a ti’? - A cura de problemas físicos muitas vezes traz malefícios para a própria pessoa que foi curada. - Anastasia, por causa da tua sofisticação de pensamento, tens trocadas as noções de bem e de mal. Os médicos, em todas as épocas, sempre foram respeitados pela sociedade, embora não exercessem as suas funções de graça. Se tu citas a Bíblia, isso lá também não se reprova. Portanto, põe essas dúvidas para fora da tua cabeça. Curar uma pessoa é sempre bom! - Entendes, Vladimir, eu vi… O meu avô mostrou-me um exemplo de que malefício pode trazer a cura, quando não é pensada, quando o próprio doente não participa na cura… - Que filosofia estranha têm vocês aqui. Eu estou a propor-te um negócio conjunto, o que é que os exemplos têm a ver com isto?
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