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O CEDRO RESSOANTE Na Primavera de 1994 aluguei três navios fluviais, com os quais realizei uma expedição durante quatro meses pelo rio siberiano Oba, de ida e volta de Novosibirsk a Salekhard. O objectivo da expedição era estabelecer relações comerciais com as regiões do Extremo Norte. A expedição chamava-se «Caravana Mercantil». O maior dos navios era de passageiros, o “Patris Lumumba” (nas flotas do Extremo Norte da Sibéria os navios têm nomes interessantes: “Maria Ulianova”, “Patris Lumumba”, “Mikhail Kalinin”, como se não tivessem existido outras personalidades históricas na Sibéria). No navio “Patris Lumumba” ficava a sede da frota, uma exposição de empresários da Sibéria e uma loja.
A expedição tinha pela frente percorrer três mil e quinhentos quilómetros do Norte, visitar grandes portos como Tomsk, Nizhnevatovsk, Khanty-Mansyisk, Salekhard, e também pequenos lugares acessíveis apenas no curto período do ano em que é possível navegar. Durante o dia a frota era atracada aos pontos de maior população. Vendíamos produtos e fazíamos negociações sobre o estabelecimento de ligações comerciais permanentes. Navegávamos normalmente durante a noite. Se as condições climatéricas não nos permitiam mover pelo rio, enquanto durava a intempérie íamos no navio principal para junto da povoação mais próxima e fazíamos festas a bordo para os jovens locais, o que é raro acontecer em tais lugares, uma vez que os clubes e centros comunitários nos últimos tempos careciam de actividade. Por vezes navegávamos um dia inteiro sem avistar sequer uma povoação, apenas a taiga[1] sempre ao longo das margens do rio, que é a única artéria de transporte. Ainda não sabia que num desses espaços de floresta me esperava um encontro que iria mudar a minha vida por completo. Uma vez, quando já vínhamos no regresso a Novosibirsk, eu decidi atracar o navio principal na margem de uma pequena aldeia com apenas algumas casas, a dezenas de quilómetros de distância de outros lugares povoados. Tinha planeado permanecer umas três horas para que a tripulação pudesse andar por terra, os habitantes do local comprassem os nossos produtos e mercadorias e para lhes comprarmos a bom preço plantas silvestres da taiga e peixe. Durante a paragem vieram ter comigo, como líder da expedição, dois velhotes que me fizeram um estranho pedido. Um era mais velho, outro mais jovem. O mais velho, de barba longa e grisalha, ficou sempre calado. Quem falou foi o mais jovem. Ele queria convencer-me a ceder-lhe à volta de cinquenta pessoas (na tripulação do navio havia apenas sessenta e cinco), que eles queriam conduzir pessoalmente pela taiga até um lugar a vinte e cinco quilómetros daquele em que estava atracado o navio. Levar-nos-iam até lá para serrarmos aquele a que eles chamaram o Cedro Ressoante. Um cedro cuja altura, pelas suas palavras, atingira os quarenta metros. Era suposto serrá-lo em pedaços de um tamanho que possibilitasse trazê-lo em mão para bordo no navio. Devíamos trazer absolutamente tudo. O velhote aconselhava que serrássemos então cada pedaço em pequenas partes, guardássemos uma e oferecessemos as restantes às pessoas próximas, aos conhecidos, a todos que desejassem recebê-las como presente. O velhote disse que aquele cedro era especial. “Há-que usar o pedacinho ao peito pendurado num fio. E é necessário pô-lo estando de pés descalços na erva, colocando a palma da mão esquerda no peito nú. Passado um minuto sentir-se-á uma sensação agradável de calor proveniente do Cedro e depois pelo corpo um ligeiro estremecer. De quando em quando, quando se tiver vontade, é necessário polir com as pontas dos dedos o lado do pedaço de Cedro que não está em contacto com o corpo, segurando com o dedo grande o outro lado.” O velhote afirmou que alguém que tenha um pedaço do Cedro Ressoante dentro de três meses começará a sentir-se bastante melhor e será curado de muitas doenças. “Mesmo de SIDA?” – perguntei eu, contando-lhe algo que tinha lido na imprensa sobre essa doença. Ele respondeu com segurança: “De quaisquer doenças!” Mas isso era, na opinião dele, uma tarefa fácil. O mais importante é que a pessoa detentora desse pedacinho se torna mais bondosa, bem-aventurada, talentosa. Eu sabia um pouco sobre as propriedades curativas do Cedro da taiga siberiana, mas que ele pudesse influenciar os sentimentos e capacidades, isso parecia-me inverosímil. Eu pensei: “Se calhar os velhotes querem receber dinheiro, em troca desse Cedro que eles acham ‘especial’. E comecei a explicar-lhes que na ‘terra grande’ as mulheres, para ficarem a ficar mais atraentes, usam jóias de ouro e prata, e não irão dar nada por um pedaço de madeira, por isso eu não ia gastar dinheiro com isso. - Usam sem saber. – continuou o velhote, – O ouro é como cinza, comparado com um pedacinho deste cedro, mas não queremos dinheiro em troca dele e ainda podemos dar-vos cogumelos secos, nós não precisamos de nada... Sem discutir e em respeito pela sua idade, eu disse: - Até pode acontecer que alguém se ponha a usar um pedaço do vosso Cedro... Usa-lo-á, se algum magnífico mestre talhador lhe aplicar a sua mão para criar algo extraordinariamente belo... Mas o velhote respondeu: - Pode ser talhado, mas é melhor polir. Muito melhor será que a própria pessoa o faça com os seus dedos, quando a alma assim o quiser, então o Cedro tornar-se-á belo também por fora. Neste momento o velhote mais “jovem” desabotoou rapidamente o seu casaquinho antigo, depois a camisa, e mostrou o que tinha ao seu peito. Eu vi um círculo ou oval saliente. Cores violeta, framboesa e arruivado formavam um desenho imperceptível e os veios da madeira pareciam riozinhos. Eu não sou um apreciador de obras de arte, mas já estive em museus e galerias e as obras de arte mundiais não me despertaram emoções em especial, mas aquilo que estava pendurado ao pescoço do velhote despertava em mim mais sentimento e emoção do que visitar a Galeria Tretiakov. Eu perguntei-lhe: - Há quantos anos anda a polir o seu pedacinho de Cedro? - Há noventa e três. - respondeu o velhote. - E quantos anos tem? - Cento e dezanove. Eu nessa altura não acreditei na resposta, ele aparentava uns setenta e cinco. Sem sentir a minha dúvida, ou sem lhe dar importância, o velhote, um pouco preocupado, começou a convencer-me de que nas outras pessoas o pedaço de Cedro polido por elas também se tornará belo, dentro de apenas três anos. Depois mais e mais, principalmente nas mulheres. Do corpo do seu detentor emanará um aroma agradável, incomparável aos que são fabricados artificialmente! Dos velhotes vinha mesmo um cheiro muito agradável, eu senti-o, apesar de eu fumar e, como todos os fumadores, ter o olfacto pouco apurado. E ainda outra coisa estranha... Eu comecei a notar no seu discurso frases, pensamentos e conclusões incaracterísticos dos habitantes do afastado interior Norte. Alguns ainda recordo, até a entoação. O velhote disse: - Deus criou o Cedro como acumulador da energia do Cosmos... Uma pessoa em estado de amor emite uma energia radiante. Em fracções de segundos, sendo reflectida pelos astros que estão acima dela, de novo alcança a Terra e dá vida a todos os seres vivos. O Sol é um desses astros, e reflecte apenas uma parte do espectro dessa energia. Para o Cosmos é emitida da pessoa apenas energia luminosa. Do Cosmos para a Terra regressa apenas energia benéfica. Alguém que tenha estado sob a influência de sentimentos malévolos emite uma energia escura. A energia escura não pode elevar-se e vai para o fundo da Terra. Reflectida pelo núcleo, regressa à superfície em forma de erupções vulcânicas, terramotos, guerras, etc. A mais forte manifestação do reflexo da irradiação escura é a influência sobre o ser humano que as enviou dessas emanações que voltam para ele e têm efeito de aumentar os seus maus sentimentos. O Cedro vive quinhentos e cinquenta anos. Com os seus milhões de agulhas, de dia e de noite ele acumula em si todo o espectro da energia luminosa. Durante a vida do Cedro passam por cima dele todos os corpos celestiais que reflectem a energia luminosa. Até um pequeno pedacinho de Cedro contém mais energia benéfica para o ser humano do que os aparelhos energéticos fabricados na Terra todos juntos. O Cedro recebe a energia que é emanada pelo ser humano através do Cosmos, guarda-a e devolve-a no momento adequado. Entrega quando não existe suficiente no Cosmos, ou seja no ser humano e em tudo o que vive e cresce sobre a Terra. Encontram-se muito raramente um Cedro que guarda mas não entrega de volta a energia acumulada. Passados quinhentos anos da sua vida ele começa a ressoar. Assim ele fala com o seu tilintar suave, assim faz um sinal às pessoas, para que o tomem e o serrem, para que se faça uso da energia acumulada na Terra. Assim o Cedro pede com o seu ressoar. Fá-lo durante três anos. Se não se der o contacto com as pessoas, passados três anos, privado da oportunidade de dar a energia que acumulou do Cosmos, ele perde a possibilidade de o entregar directamente ao ser humano e começa a incinerá-la em si. O processo turturante de incineração e morte dura vinte e sete anos. Há pouco tempo encontrámos um Cedro assim. Nós determinámos que ele já ressoa há dois anos. Tilinta baixinho. Muito baixinho. Pode ser que esteja a esforçar-se para que o seu pedido se estenda por mais tempo, mas resta-lhe apenas mais um ano. É necessário serrá-lo e distribuir por muitas pessoas. O velhote falou durante muito tempo e eu, por qualquer razão, ouvia-o. A voz do estranho siberiano soava ora com uma certeza tranquila, ora com grande inquietude. Quando ele se inquietava começava, como se tocasse um instrumento, a polir rapidamente com as pontas dos dedos o seu pedacinho de cedro. Na rua estava frio, do rio soprava o vento de Outono. O vento frio remexia os cabelos grisalhos nas cabeças descobertas dos anciãos, mas o casaquinho antigo e a camisa do velhote que falava continuavam desabotoados. Ele continuava a polir com as pontas dos dedos o seu pedacinho de Cedro pendurado ao pescoço e exposto ao vento. Continuando a tentar esclarecer a sua importância. Do navio desceu para a margem Lídia Petrovna, colaboradora da minha empresa. Ela disse que todos estavam já a bordo, prontos para largar e à espera que eu terminasse a conversa. Despedi-me dos velhotes e subi para o navio. Eu não podia satisfazer o pedido dos velhotes por duas razões: primeiro, porque um atraso de três dias do navio traria um grande prejuízo e segundo, porque eu considerei nessa altura tudo o que disseram os velhotes como sendo uma crença deles ou uma das lendas do local. No dia seguinte, durante a reunião de planeamento, eu vi que Lídia Petrovna tinha pendurado ao peito um pedacinho de Cedro. Depois ela contou-me que quando eu subi a bordo do navio ela ainda permaneceu um pouco em terra. Viu como o velhote que conversara comigo, enquanto eu me afastava deles, olhava desconcertado ora para mim, ora para o seu companheiro, e dizia preocupado: - Como é possível? Porque é que eles não entenderam? Não sei mesmo falar na língua deles... Não fui capaz de convencer... Não fui capaz! Não consegui! Não consegui fazer nada... Porquê? Pai, diz-me! O mais velho colocou a mão no ombro do seu filho e respondeu-lhe: - Não foste convincente, filhote. Eles não entenderam. Lídia Petrovna continuou: - Quando eu já subia pela rampa, o velhote que falara contigo de repente correu para mim, pegou-me na mão e levou-me da rampa para a erva. Tirou apressadamente do bolso um fiozinho ao qual estava atado este pedacinho de madeira de cedro, colocou-mo ao pescoço e pressionou com a sua mão e a minha de encontro ao peito. Eu até senti um arrepio correr pelo corpo. Ele fez tudo muito rapidamente e eu nem tive tempo de dizer nada. Quando me ia embora ele dizia acompanhando-me: “Boa viagem! Felicidades! Voltem no próximo ano! Tudo de bom, nós cá vos esperamos! Façam uma boa viagem!”. Quando o navio partiu ele acenou com a mão, depois de repente sentou-se na erva. Eu via-os através dos binóculos. O velhote que conversara contigo e depois me dera um pedacinho de Cedro estava sentado na erva e os seus ombros estremeciam... O mais velho de barbas longas, inclinou-se e afagou-lhe a cabeça. ***** Entre afazeres comerciais, contabilidades, banquetes de comemoração da finalização da navegação, eu não me lembrei mais dos estranhos anciãos siberianos. Durante o regresso do navio a Novosibirsk, senti dores intensas. Foi feito o diagnóstico – úlcera no intestino e osteocondrose da zona dorsal da coluna. No sossego do quarto de hospital eu fiquei isolado da azáfama quotidiana. O quarto individual de luxo permitia analisar com calma os resultados da expedição de quatro meses e fazer um plano de negócios para o futuro. Mas a memória afastava todos os acontecimentos e, por alguma razão, trazia para primeiro plano os velhotes e o que eles tinham contado. A meu pedido trouxeram para o hospital todo o tipo de literatura sobre o Cedro. Comparando o que lia, eu cada vez mais me surpreendia e começava a acreditar no que me tinham dito os velhotes. Alguma verdade havia nas suas palavras, talvez até tudo fosse verdade! Nos livros de medicina popular fala-se muito sobre as propriedades curativas do Cedro. Tudo, das folhas à casca, tem propriedades curativas de grande eficácia. A madeira do Cedro é bela e é utilizada por mestres entalhadores, para fazer móveis e caixas de ressonância para instrumentos musicais. A resina do Cedro tem a capacidade de desinfectar o ar e a madeira de Cedro tem um cheiro característico, balsâmico e muito agradável. Um pedaço de madeira de Cedro dentro de casa afasta as traças. A literatura de ciência popular também refere que a qualidade do Cedro que cresce nas regiões do Norte é maior do que a do que cresce no Sul. Já em 1972 o académico P.S. Pallas[2] escreveu que os frutos do Cedro siberiano restauram a vigorosidade masculina e devolvem a juventude às pessoas, aumentam as defesas do organismo e auxiliam no combate a doenças. Existe uma série de fenómenos históricos, directa ou indirectamente, relacionados com o Cedro. Aqui está um deles: um homem de média instrução, Grigorii Rasputin[3], de uma aldeia da Sibéria profunda, um lugar onde cresce o Cedro siberiano, em 1907 vai parar a Moscovo com a idade de cinquenta anos. Impressionou com as suas profecias a família imperial, da qual se tornou um convidado frequente e dormiu com uma grande quantidade de mulheres famosas. Quando matavam Grigorii Rasputin surpreenderam-se porque já depois de ter sido cravejado de balas ele continuava vivo. Talvez por ter crescido alimentado por pinhões de cedro numa região de cedros? Assim os jornalistas da época descreveram a sua resistência: “Com cinquenta anos ele podia começar uma orgia ao meio dia, continuando a farra até às quatro da manhã; da comida e bebida ia directamente de madrugada para a igreja, onde ficava a rezar até às oito da manhã, depois em casa bebia um chá e, como se nada fosse, recebia visitas até às duas da tarde. Depois juntava algumas damas e ia com elas para a os banhos, dos banhos seguia para um restaurante nos arredores da cidade, onde repetia a actividade da noite anterior. Nenhuma pessoa normal poderia aguentar um ritmo assim.” O actual multi-campeão do mundo e dos Jogos Olímpicos de luta, Alexander Karelin[4], que nunca foi vencido até hoje, também é siberano, e também dos lugares onde cresce o Cedro. O atleta também come sementes de Cedro. Será coincidência? Eu apresento apenas os factos que se podem encontrar na literatura de ciência popular ou que podem ser confirmados por testemunhas. Uma dessas testemunhas é Lidia Petrovna, que recebeu do velhote um pedacinho do Cedro Ressoante. Uma mulher de trinta e seis anos, casada, mãe de duas crianças. Os colaboradores da empresa que contactam com ela notaram as mudanças. Ela tornou-se mais bondosa e sorridente. O marido de Lidia Petrovna, que eu conheço, conta que na sua família se instalou agora mais entendimento e nota que é como se a sua esposa tivesse rejuvenescido: começou a despertar nele mais sentimentos, respeito e até talvez amor. E muitos factos e provas empalidecem perante o principal, do qual podem tomar conhecimento por vós próprios e depois do qual não me restou sombra de dúvida – a Bíblia. No Antigo Testamento, no terceiro livro de Moisés (Levi 14,4) Deus ensina como curar as pessoas e desinfectar as casas com a ajuda... do CEDRO!!! Quando eu comparei os factos que recolhi de diversas fontes e testemunhas, desenhou-se um quadro em comparação com o qual os milagres do mundo perdem o seu brilho. Os grandes mistérios, que deixam as mentes humanas perplexas, começaram a parecer insignificantes em comparação com o mistério do Cedro Ressoante. Agora eu já não podia ter dúvidas da sua existência. A literatura de ciência popular e a dos antigos Vedas dissiparam-nas. É referido quarenta e duas vezes na Bíblia, ainda no Antigo Testamento. Moisés, ao revelar as pedras dos mandamentos, provavelmente sabia mais sobre ele do que está escrito no Antigo Testamento. Nós habituámo-nos a que na natureza existam determinadas plantas capazes de curar as doenças das pessoas. As propriedades curativas do Cedro estão provadas pela literatura de ciência popular, assim como por investigadores de autoridade, como o académico Pallas, e coincidem com o que se diz no Antigo Testamento. E agora, atenção! O Antigo Testamento, referindo-se ao Cedro, exclusivamente ao Cedro, não contempla outras árvores. E não é que diz que o Cedro é o mais forte remédio de todos os que existem na natureza? O que é isto? Um complexo medicamentoso? Mas como utilizá-lo? E porque é que os estranhos velhotes de todos os Cedros destacaram o Cedro Ressoante? Mas isto ainda não é tudo. Sobre algo infinitamente mais misterioso fala o assunto seguinte do Antigo Testamento: - O Rei Salomão construiu um Templo de madeira de Cedro. Para trazer o Cedro do Líbano, ele entregou a outro rei, Hiram, vinte cidades do seu reino. É incrível! Por um determinado material de construção, vinte cidades! É verdade que ainda lhe foi concedido outro serviço. A pedido do Rei Salomão foram-lhe trazidas pessoas “que soubessem cortar a árvore.” Que pessoas eram estas? Que sabiam elas? Eu ouvi dizer que agora, em diferentes lugares distantes do interior, existem velhotes que escolhem de uma forma determinada a madeira para construção. Mas então, há mais de dois mil anos, podia ser que todos soubessem. E no entanto, eram necessárias pessoas especiais. O Templo foi construido. Nele se iniciou uma cerimónia e “... os sacerdotes não podiam permanecer na cerimónia por causa da núvem”. Que núvem era esta? Como e de onde surgiu no Templo? O que é que poderia ser? Energia? Um espírito? Que fenómeno era aquele e qual a sua ligação com o Cedro? Os velhotes falaram sobre o Cedro Ressoante como acumulador de uma espécie de energia. Qual? Que Cedro é mais forte: o do Líbano ou o da Sibéria? O académico Pallas disse que as propriedades curativas aumentam em proporção com a proximidade da tundra. Então quer dizer que o mais poderoso é o siberiano. Na Bíblia diz-se. “... julguem pelos seus frutos”. O que significa mais uma vez o da Sibéria! Será que ninguém reparou em tudo isto? Não compararam os factos? A Bíblia do Antigo Testamento, a ciência do século passado e a actual são unânimes quanto ao Cedro. E Elena Ivanovna Roerich[5] no seu livro “Ética Viva” diz: “Nos rituais de consagração dos reis do antigo Khorassan figurava um cálice de resina de Cedro. E entre os druídas também a taça de resina de Cedro era denominada Cálice da Vida. E, só mais tarde, foi substituída por sangue, quando se perdeu a consciência da Alma. O fogo de Zoroastro surgiu da combustão de resina no cálice.” Então, de toda a sabedoria dos nossos antepassados sobre o Cedro, as suas propriedades e indicações, o que é que chegou até aos nossos dias? Nada? E o que sabem sobre ele os velhotes? E, de repente, veio-me à memória uma situação de há muitos anos atrás, que até me fez arrepiar. Na altura não lhe dei importância, mas agora... No início da Perestroika eu era presidente da associação de empresários da Sibéria. Um dia telefonaram-me do Conselho Executivo de Novosibirsk (na altura ainda existiam comités do partido comunista e conselhos executivos), pedindo-me para ir a uma reunião com um importante empresário do Ocidente. Ele tinha uma carta de recomendação do governo do momento. Ao encontro compareceram alguns empresários e trabalhadores do Conselho Executivo. O empresário ocidental tinha um ar imponente e parecia uma pessoa invulgar com traços orientais. Na cabeça usava um turbante e nos dedos das mãos anéis preciosos. Falámos, como de costume, sobre as possibilidades de cooperação em vários campos. Entre outras coisas ele disse: “Podíamos comprar-vos pinhão de Cedro.” Enquanto dizia estas palavras ele contraiu-se, os seus olhos aguçados moveram-se, observando a reacção dos colaboradores presentes. Eu fixei bem isto, porque ainda naquela altura me admirei e me perguntei porque é que ele se teria transfigurado assim. Depois da reunião oficial veio ter comigo a tradutora moscovita que o acompanhava e disse que ele queria conversar comigo. O empresário propôs confidencialmente que eu organizasse a entrega do pinhão de Cedro, que teria que ser necessáriamente fresco. Seria pago para além do preço oficial e eu receberia pessoalmente uma boa percentagem. Era preciso entregar o pinhão na Turquia, onde preparariam um óleo. Eu disse que ia pensar. Decidi investigar por mim que óleo era aquele. E descobri o seguinte... Na Bolsa de Londres, que é a referência dos preços mundiais, o óleo de Cedro custa... até quinhentos dólares o quilo! E propunham-nos entregar as encomendas de pinhão de Cedro a um preço de dois-três dólares por quilo. Eu telefonei para Varsóvia para um empresário meu conhecido e pedi-lhe para tentar saber se havia a possibilidade de chegar directamente aos consumidores deste produto e de perceber qual a tecnologia usada na sua extracção. Passado um mês ele respondeu-me: “Não é possível. Não conseguimos ter a informação sobre a tecnologia. E estão envolvidas nessas questões tais forças ocidentais, que é melhor nem lhe tocar e esquecer..” Então, dirigi-me ao meu amigo Konstantin Rakunov, investigador e colaborador da Cooperativa de Consumo da Sibéria. Comprei o pinhão, financiei o projecto e nos laboratórios do seu instituto foram produzidos cem quilogramas de óleo de pinhão de cedro. Do mesmo modo contratei pessoas que em documentos de aquivo encontraram o seguinte: No período pré-revolucionário, e ainda muito antes da revolução, existia na Sibéria uma organização denominada “Cooperador Siberiano”. As pessoas dessa organização comercializavam, entre outros óleos, o de pinhão de Cedro. Havia representantes em Harbin, Londres, Nova Iorque. Tinham bastante dinheiro em bancos do Ocidente. Depois da revolução a organização colapsou e muitos dos seus membros emigraram. Um membro do governo Bolchevista, Leonid Krasin, encontrou-se com o director dessa organização e propôs-lhe que regressasse à Rússia. Mas o director do “Cooperador Siberiano” respondeu que ele ajudaria mais a Rússia encontrando-se para além das duas fronteiras. Dizia ainda nos materias de aquivo que o óleo de Cedro se extraia com o auxílio de prensas de madeira (sómente de madeira) em muitas aldeias da taiga siberiana. As sua qualidade dependia da altura da colheita e do processo de preparação do pinhão. Estabelecer que altura era essa não foi possível nem através dos aquivos nem no instituto. O segredo perdeu-se. As características do óleo em termos terapêuticos não têm análogo. Mas não terão aqueles que emigraram transmitido o segredo da preparação desse óleo a alguém no Ocidente? Como se explica que o mais terapêutico pinhão de cedro cresça na Sibéria, e a fábrica que extrai o óleo seja na Turquia? Na Turquia não cresce um Cedro como o da Sibéria! Sobre que forças do Ocidente falava o empresário de Varsóvia? Porque é que não se pode tocar nessa questão? Não estarão essas forças a “contrabandear” o produto terapêutico de propriedades extraordinárias da taiga da Rússia siberiana? Porque é que, tendo essa riqueza de tão grande eficácia comprovada pelos séculos e milénios, nós gastamos milhares ou até milhões de dólares em medicamentos ocidentais e os tomamos como loucos? Porque é que perdemos a sabedoria que os nossos antepassados bastante recentes detinham? Antepassados que viveram neste mesmo século! O que há que falar sobre a Bíblia, que descreve situações com mais de dois mil anos? Que forças invisíveis tentam tão insistentemente apagar da nossa memória os conhecimentos dos nossos antepassados? E ainda: “não te metas”, como se não fosse da nossa conta. Tentam apagar... e, pelos vistos, conseguem! Uma zanga apoderou-se de mim. E ainda reparei que na farmácia se vende óleo de Cedro em embalagem importada. Comprei um frasquinho de trinta gramas para experimentar, que continha na minha opinião não mais de duas gotas de óleo dissolvido num excipiente qualquer. Era incomparável com aquele que preparámos no Instituto da Cooperativa de Consumo. E custavam essas duas gotas dissolvidas cinquenta mil rublos! E se não se comprar no estrangeiro e vendermos nós? Só por conta desse óleo toda a Sibéria poderia viver sem pobreza! Como é que fomos esquecer a tecnologia dos nossos antepassados? E agora queixamo-nos de que somos pobres... Mas penso que conseguirei descobrir alguma coisa. Estabeleço eu próprio a produção de óleo. Que enriqueça a minha empresa. Eu decidi repetir a expedição pelo rio Oba no Norte, utilizando só o navio principal “Patris Lumumba”. Carreguei o porão com produtos variados e transformei a sala de cinema do navio em loja. Precisei de contratar pessoas novas. Não chamei as da minha empresa. A situação financeira já tinha piorado enquanto eu tinha andado a distraído. Passadas duas semanas da saída de Novosibirsk os meus seguranças disseram-me que tinham ouvido conversas sobre o Cedro Ressoante. E, na opinião deles, entre os novos funcionários haviam “pessoas estranhas”. Eu comecei a chamar individualmente pessoas da tripulação e a falar com eles sobre a planeada caminhada pela taiga. Eles concordavam em ir até de graça. Outros pediam mais dinheiro pela operação, porque não tinha sido contemplada quando começaram a trabalhar e uma coisa é estar nas condições confortáveis do navio, outra é ir para a taiga a vinte e cinco quilómetros e carregar mercadoria. Nessa altura os meus recursos já escasseavam. Eu não planeava vender o Cedro. Os velhotes tinham dito que era preciso distribuí-lo. E mais importante eu considerava não o Cedro, mas o segredo da extracção do óleo. E estava interessado em receber informação em geral relacionada com ele. Pouco a pouco eu percebi, com a ajuda dos seguranças, que estavam a tentar seguir-me, principalmente quando saí do barco para a margem. Mas não era claro com que objectivo. Quem estaria por detrás dos perseguidores? Pensei e pensei no que fazer e decidi, para ter certezas, que era necessário enganar todos de uma vez. [1] taiga – o nome em russo da floresta boreal que se extende por grande parte da Sibéria. [2] Peter Simon Pallas (1741-1811) – o geólogo alemão, paleontologista, botânico e etnógrafo, nascido em S. Petersburgo. Como membro da Academia de Ciências de S. Petersburgo, foi um proeminente explorador da taiga siberiana.
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